segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Máscaras viram fonte de renda

Oficinas para confecção dos adereços mobilizam famílias durante todo o ano em Bezerros

Myllena Valença: JC Online

Adereços principais das fantasias no Carnaval dos papangus, em Bezerros, as máscaras têm dado muito trabalho aos artesãos da cidade. E não é apenas a proximidade do período de Momo que leva as pessoas a colocarem a mão na massa. Para dar conta das encomendas, que ultrapassam as fronteiras do Estado, oficinas funcionam o durante todo o ano e mobilizam famílias inteiras.

Faz mais de 15 anos que Josete Silva se dedica à produção de máscaras, trabalho realizado por oito mãos, pois a artesã conta com a ajuda dos três filhos. O empenho é para dar conta da confecção de mil peças. “Assim que acaba o Carnaval, começamos a produzir. Posso dizer que, hoje, as máscaras de papangu são nossa principal fonte de renda”, conta Josete, que fatura mensalmente um salário mínimo.

“Em janeiro e fevereiro, o apurado triplica e a jornada de trabalho também. A gente começa cedo, quando acorda, e só para à noite, antes de dormir”. Cada etapa da produção é divida: camadas e camadas de papel vão sendo moldadas à forma, que recebe acabamento de massa corrida e, por último, pinceladas de tintas. “As cores dão um brilho especial à festa e, quanto mais vibrantes, melhor”, conta. O adorno é usado não só para compor a fantasia, mas como artigo decorativo, ímã de geladeira, brincos e chaveiro. “O turista sempre leva uma lembrancinha para casa”, diz Josete, lembrando que ainda dá tempo de fazer encomenda. Os valores vão de R$ 2 a R$ 20.

Na Casa de Cultura Popular Lula Vassoureiro, a variedade é imensa. Mas, a especialidade do artesão Lula são máscaras gigantes e painéis. Como as peças grandes requerem mais tempo e trabalho que o habitual, são fabricadas no ateliê apenas 300 unidades para esta época. “Desde os 10 anos ganho dinheiro com o mesmo tipo de produção e agora conto com a ajuda do meu filho e da minha nora”, informou.

Juntos, os três fabricam máscaras com até 2 m de altura, que levam 18 quilos de papel reciclado. Por Carnaval, são cerca de seis toneladas de jornal. As figuras são bem-humoradas, algumas com bonecos banguelas, fazendo caretas. Os preços variam de R$ 3 a R$ 350. Vassoureiro já recebeu pedidos de vários municípios pernambucanos e do Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. “Nosso diferencial é renovar as máscaras todos os anos. E não tem projeto antecipado, esboço do desenho. Invento a cara do papangu na hora e ele só faz sucesso”, festeja o artista plástico mais famoso de Bezerros, que decidiu pausar a produção na semana do Carnaval. “O ano inteiro é dedicado às máscaras. No fim, paro tudo e vou brincar.”

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